O velho e bom tarô – novos tempos… antigas soluções

A primeira vez que fui numa cartomante, tinha dezesseis anos. A senhora morava num apartamento grande e bonito em Copacabana. Vestia um turbante na cabeça, um saião claro, e uma camisa com uns brilhinhos… a la cigana fashion.

A primeira vez que fui numa cartomante, tinha dezesseis anos. A senhora morava num apartamento grande e bonito em Copacabana. Vestia um turbante na cabeça, um saião claro, e uma camisa com uns brilhinhos… a la cigana fashion. Me atendeu num quartinho que tinha uma pequena mesa redonda no meio, com duas cadeiras. No meio da mesa ficava um copo d’água, e ao lado, dois baralhos de tarô.

Muito educada, ela me convidou para entrar, sentou do outro lado da mesa, e me perguntou: “Então, querida, quem te indicou?”. Nem lembro mais quem foi, mas dei a referência, e, meio apavorada, fiquei esperando para ver o que ela ia fazer. Embaralhou umas cartas enormes com vários símbolos (que eu não entendia nada, só percebi umas letras em hebraico porque sou judia e estudei o alfabeto no colégio), abriu o jogo e viu uma chave. Perguntou se meus pais estavam comprando uma casa nova. Eu disse que não. Ela descreveu uma casa branca, que traria muitas alegrias por muitos anos. Até aí, para mim, nada.

Eu estava no auge da minha ansiedade: início de ano de vestibular, pressão total para passar, e a esperança de que, por um passe de mágica ela me dissesse tudo que eu queria ouvir: que ia passar para a faculdade escolhida e que ia arrumar um namorado. Mas em vez disso, falou que não ia arrumar namorado nenhum até me formar (no colégio, mas fiquei morrendo de medo que só fosse depois de formada na faculdade) e que se eu não sentasse e me matasse de estudar, não passaria. Mandou eu cortar todas as distrações e focar, que só assim eu conseguiria entrar na faculdade. Depois de uma hora, saí da consulta meio atordoada e decepcionada. Eu tinha muito dever de casa a fazer para que meu futuro dourado se realizasse.

tarologa-imageCheguei em casa e contei para minha mãe que tinha ido numa cartomante. “Não gosto de você metida nessas coisas!”ela disse, e continuou, “Tenho um certo medo. O quê que ela disse?”. “Que vocês estão comprando uma casa nova que vai trazer momentos muito bons. Que casa nova é essa?”, eu disse. “Zééééé, vem ouvir essa!”gritou ela para o meu pai. E foi assim que fiquei sabendo que eles tinham acabado de comprar um terreno em Búzios, com mais dois casais de amigos, e que estavam planejando construir um condomínio para depois vender as casas.

Trinta anos depois, olho para trás e lembro: naquele ano, estudei que nem uma condenada. Passei para a faculdade escolhida. O condomínio ficou pronto, e cada casal conseguiu ficar com uma casinha, depois de vender as outras. Arrumei o namorado depois que comecei a faculdade…e a casa foi devidamente usada. E depois, em várias fases da minha vida, consultei tarólogos, astrólogos e outros tipos de terapeutas não convencionais para me ajudar a tomar decisões. Confesso que até fiquei meio viciada nisso! E resolvi estudar tarô e desenvolver meu lado espiritual.

Hoje, como taróloga, percebo claramente que o tarô é um oráculo poderoso, que pode ajudar as pessoas em várias fases da vida, principalmente quando estamos atordoados em dúvidas, ansiedade e pressão. Poucos são aqueles que vêm consultar taróloga porque ganharam na loteria, casaram-se com um Príncipe e vivem felizes para sempre.

Porque um oráculo nos orienta nesses momentos, quando não conseguimos nos centrar e ouvir nossa própria intuição para saber qual o melhor caminho. Então esse pode ser um recurso maravilhoso. Mas nunca uma ferramenta para predizer todo seu futuro, engessar seu livre arbítrio. Aqui e ali ele pode te dar uma colinha, mas sempre vai te mandar fazer o dever de casa. E sempre vai deixar espaço para você mudar sua vida . E nesse mundo de trumps, teoris e terremotos, nada como um velho e bom tarô para tirar um pouquinho da incerteza da vida.

Author: Rosane Grimberg - Taróloga & Numeróloga Tarot & Numerology

Eu, taróloga Sou formada em Economia, tenho mestrado em Administração e estudei roteiros para TV e cinema. Sempre fui bem espiritual e esotérica, e um dia resolvi fazer um curso de tarô por hobby...e amei! Já tinha ido a consultas, mas nunca me imaginei tirando cartas para outras pessoas. Comecei a treinar com amigos e oferecer de tirar cartas em alguns eventos. Depois de muito “tira pra mim?” e também de eu ver na pele que o meu tarô já ajudou muitas pessoas, decidi oferecer consultas profissionalmente e assumir meu lado “cigana”. De cigana, aliás, tenho muito. Já morei em vários lugares, no Brasil e fora, e adoro conhecer novas culturas. Resolvi, com esse blog, unir duas coisas que amo: escrever e dar conselhos de tarô. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Espero que essas histórias verídicas te divirtam um pouco mas que também te dêem uma luz. E quando precisar de conselhos, escreve pro meu tarô. Rosane Grimberg

2 thoughts on “O velho e bom tarô – novos tempos… antigas soluções”

  1. Querida Ro, lendo o seu artigo voltei no tempo!
    Muito legal esse seu blog, Tudo a ver com você.
    Sucesso .

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